Uma enorme falácia – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 17 de Junho, 2015

O crescimento de Portugal está acima da média da União Europeia.

Após estes anos de contrariedades e de ajustamentos a que fomos obrigados pela bancarrota socialista, o país tem, finalmente, a oportunidade de sonhar com políticas que não deitem a perder os sacrifícios que tanto estão a custar aos portugueses.

Aqueles que durante estes anos renegaram a responsabilidade relativamente ao que negociaram com a TROIKA e que tudo fizeram para virem a beneficiar com a impopularidade das medidas que o país se viu obrigado a assumir, aqueles que profetizaram um segundo resgate e uma espiral recessiva, aqueles que passaram todo o tempo a reafirmar que o país caminhava para o abismo, são hoje obrigados a fazer de conta que nunca disseram nada, experimentados que estão em renegar os seus próprios actos.

Entre eles estão os socialistas açorianos, sempre na linha da frente a procurar vantagens de popularidade por andarem ao sabor da onda de contestação contra as medidas impostas a Portugal.

É deveras interessante ver que hoje são, igualmente, esses socialistas que, com base no actual estado de optimismo que revelam as contas portuguesas, se preparam para uma campanha de promessas fáceis e populares, de muito emprego e reposição de rendimentos, só possíveis, afinal, porque tudo o que disseram antes sobre a suposta calamidade da continuação do actual Governo de Portugal não aconteceu, ou seja, andaram anos a dizer que o caminho percorrido era errado e levava à desgraça mas, perante nada disso ter sucedido, dizem agora que podem governar à grande.

Bem sei que não é fácil perceber pessoas que dizem que o país está uma lástima, mas ao mesmo tempo afirmam que se pode gastar mais e mais depressa. Mas se juntarmos a esta equação a desfaçatez e o populismo de a cada momento declarar o que soa melhor, tudo se torna mais claro.

Ainda mais difícil é perceber que estes comportamentos são a forma de estar dos socialistas açorianos que se fartam de clamar aos sete ventos que a governação dos Açores é exemplo para qualquer país ou região do universo, mas o que se vai assistindo é um verdadeiro desastre nas mais diferentes áreas da economia açoriana – apesar de alguma recuperação provocada, sobretudo, pelo novo modelo de ligações aéreas com o exterior, curiosamente uma medida possibilitada pelo governo da república.

Mas é isso a que assistimos: o país a recuperar, com o socialismo a renegar o vergonhoso passado na governação nacional, e os Açores envoltos numa série de trapalhadas com os mesmos socialistas a renovar que está tudo bem e que resolvem sempre melhor todos os problemas.

E o que não faltam são problemas nos Açores, com a lavoura em desespero com a incerteza sobre o futuro, agarrados à disponibilidade europeia para mais uma iniciativa que salve da falência muitas explorações. Nos transportes inter-ilhas deixámos recentemente de ter navios a percorrer os Açores com explicações em tudo menos nas opções políticas dos socialistas no poder. As pescas na ambiguidade da gestão de recursos e com muitos pescadores a passar repetidas vezes por dificuldades. E no mundo dos negócios, o governo nacionaliza empresas e os empresários dos Açores queixam-se do excessivo peso do Estado na economia.

É provável que as avalanches de propaganda com que o socialismo brinda os açorianos continuem a propagar este entendimento de que o mais próximo que existe da perfeição é um socialista a governar, mas basta um pouco de observação da realidade para perceber que tudo isso é, afinal, uma enorme falácia!