O Hospital é central – Opinião de Luís Rendeiro
Publicado em 08 de Junho, 2015

O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) é uma incontornável mais-valia da nossa terra. Para além do seu imprescindível papel na prestação de cuidados de saúde, não só à população da Terceira, como a outras ilhas ou forasteiros que necessitem de auxílio; o nosso hospital desempenha um papel central e insubstituível na economia da Ilha Terceira.

Com a crónica redução do número de trabalhadores portugueses na Base das Lajes, o Hospital é hoje o maior empregador da ilha e um dos maiores, se não mesmo o maior, agente dinamizador da economia, comércio e prestação de serviços que temos.

Dificilmente se encontra na Terceira outra instituição com tão grandes consumos, em termos de bens e serviços, como o HSEIT, ou da qual dependa um tão grande número de actividades paralelas, como as ligadas à área da Saúde.

Pelo que atrás foi dito e pelo tanto que ficou por dizer, todos devemos estar conscientes da importância do nosso Hospital e da necessidade de o manter, promover, preservar e potenciar. Os problemas que existem (e existem de facto) devem ser abordados de forma séria e construtiva, sem alimentar campanhas públicas, como as que temos vindo a assistir, de forma recorrente e que prejudicam a credibilidade do Hospital e dos muitos bons profissionais que lá trabalham, desviando utentes para outros hospitais da Região e contribuindo ainda mais para o esvaziamento da Terceira.

O nosso Hospital deve evoluir de modo constante. Há que procurar suprir as carências que tem ao nível de algumas especialidades médicas, bem como implementar outras, que permitam criar na Terceira uma diferenciação nos cuidados hospitalares, que faça com que cada vez mais Açorianos, de todas as ilhas, possam vir recuperar dos seus problemas de saúde para o nosso Hospital.

Neste momento, o crónico sub-financiamento do Hospital, da responsabilidade do Governo Regional, que dirige as verbas para outras prioridades… está a prejudicar claramente a prestação de cuidados de Saúde no HSEIT. Não podem faltar recursos humanos e materiais por falta de dinheiro, enquanto se desbaratam recursos em coisas menos importantes de outras áreas da governação, como são os centros de artes contemporâneas e outras extravagâncias do género…

Um hospital não pode viver em falência técnica, com défices financeiros crónicos, devendo aos seus fornecedores e dependendo exclusivamente da entrega, competência e boa-vontade dos seus recursos humanos. Um hospital que não paga aos seus prestadores de serviços, rebenta com uma boa parte da economia da ilha e lança gente no desemprego.

A contratação de médicos, enfermeiros e restante pessoal de que o Hospital precisa, requer o adequado financiamento. A redução das listas de espera para consultas e cirurgias, bem como a modernização dos equipamentos, também precisam das verbas devidas.

Os erros humanos, que infelizmente também acontecem, devem ser abordados com seriedade, responsabilidade e nunca numa lógica de desresponsabilização ou branqueamento, como por vezes parece acontecer.

O nosso Hospital é central para o desenvolvimento da Terceira e deve ser tratado como tal. Está na hora de se escolher melhor as prioridades na governação e gastar o dinheiro onde ele faz verdadeiramente falta.