Índice Sintético de Desenvolvimento Regional – Opinião de Luís Pereira de Almeida
Publicado em 19 de Junho, 2015

O Instituto Nacional de Estatística, entidade independente – ao contrário do Serviço Regional de Estatística que é uma agência do governo e do partido que o suporta -, publicou esta semana o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, onde é criado um indicador agregado que compara as 25 regiões portuguesas.

Os resultados dos Açores envergonham os açorianos no geral, mas humilham o governo regional. De facto somos a penúltima região no total de 25, atrás de nós só mesmo a região do Tâmega (mas muito próximo). Para uma referência nacional de 100 pontos, ficamos pelos 90. Lisboa lidera com, aproximadamente, 110. A Madeira, apesar dos seus muitos problemas, está claramente distante de nós.

Após quatro décadas de Autonomia, milhares de milhões de euros gastos e alguns investidos, estamos nesta situação. Mais grave do que aqui estarmos é a total ausência de uma estratégia regional para daqui sairmos. Governa-se ao dia, sem falar nem escutar ninguém, em paralelo matam-se sonhos e destrói-se produto potencial.

Aliás, é interessante ver a iniciativa que aconteceu esta semana com patrões e sindicatos a virem pedir uma alteração do modelo económico da região. É caso para questionar porque ninguém o fez mais cedo.

Encontrar culpados é sempre fácil, encontrar soluções é sempre mais difícil. Mas há temas que devem e podem ser discutidos. Por exemplo, qual o futuro do setor empresarial regional, qual a forma de financiamento da saúde e da educação, que fiscalidade queremos ter ou qual a nossa relação com a emigração, são temas que devem ser discutidos com um plano de médio prazo que permita dar estabilidade à quem investe e guiar quem decide.

Temos o novo regime de incentivos, bem negociado pelo governo regional e bem defendido pelo governo da República, o “nosso muro de Berlim” caiu com a liberalização do espaço aéreo e os nossos impostos são mais baixos do que os nacionais. Porém, se não aproveitarmos as nossas vantagens comparativas de forma estruturada e com uma estratégia de médio prazo corremos o risco de ter à nossa frente mais duas décadas perdidas e isso a região não aguenta.

É fundamental que os políticos vivam menos para o imediato e olhem para o médio prazo, conversando desapaixonadamente e acertando uma estratégia de longo prazo. Essas conversas e negociações não necessitam de ser públicas, as conclusões sim, os grandes acordos da história foram feitos em silêncio.

Desta forma só pode haver vencedores. Como acredito que todos queremos o bem comum dos cidadãos e todos os que têm poder de decisão são estruturalmente bem-intencionados, penso que não será difícil. Vamos a isto?