Graciosa. Apontamentos, adiamentos e lamentos – Opinião de João Bruto da Costa
Publicado em 10 de Junho, 2015

Graciosa. Bom tempo, clima ameno, mar convidativo, festas, bodos, ambiente sereno com aquela nostalgia muito característica das ilhas que torna a vida menos cinzenta.

Em Junho aproximamo-nos do mar, damos um salto à Praia ou ao Carapacho, espreitamos a Calheta, o Boqueirão, o Barro Vermelho ou mesmo os Poceirões da Vitória e, se viável fosse, até o Porto Afonso ou a Poça das Salemas seriam locais com outra visibilidade no lazer da entrada do Verão, entre uma coroação e um ou outro compromisso.

É também nestas alturas que se volta sempre a repensar o que falta, o que podemos melhorar ou o que se devia mudar para que todos estes locais de encontros e divertimentos, que tanto representam para muitos que vivem a ilha mesmo sem viver na ilha, não sejam locais esquecidos nos afazeres dos executivos locais ou regionais.

Se algumas excepções podem ser notadas, como a limpeza atempada da Praia ou algumas melhorias no Barro Vermelho e constante atenção para os Poceirões, a verdade é que todo o resto vem sendo esquecido e adiado.

Por vezes aparecem mais umas ideias ou o trabalho de algum jovem que gostaria de ver a sua terra progredir. E essas ideias até são apropriadas para a propaganda de quem, afinal, pouco está a fazer.

Pelo menos foi assim que resultou a divulgação de uns desenhos sobre obras na Calheta que afinal são apenas mais umas ideias que aparecem numa altura em que não se vai fazer nada, pois fechar para obras no início da época balnear é pouco recomendável.

Mas o tempo vai passando e vamos assistindo a muitas outras coisas em que se perde tempo e oportunidades por falta de iniciativa, de estratégia de desenvolvimento ou, simplesmente, porque alguns acham que mais perto de eleições é que faz falta voltar a engodar mais algum voto.

Também, em tempos, foi cedido um edifício para que uma empresa pudesse criar 30 novos postos de trabalho na ilha Graciosa, com tudo o que isso traria de substancial para uma ilha em decadência populacional e repleta de desemprego e emigração jovem, mas parece que a Câmara teima em não conseguir ter esse edifício nas condições necessárias para que a empresa possa avançar com o seu projecto e qualquer dia levam o projecto para outro local, perdendo-se uma oportunidade de extrema importância, talvez mais importante que outras obras de embelezamento ou apresentações fictícias de projectos de transformação estética que apenas aparecem para distracção de Verão.

Igualmente se aguardam obras, e mais obras, prometidas de legislatura em legislatura e que a conta gotas são anunciadas ou reanunciadas para finais de mandatos sempre teimosa e enjoadamente programadas para um corta fitas de campanha eleitoral, mesmo que sejam resultado de erros ou adiamentos provocados por quem depois aparece como estrela do acontecimento.

Isso mesmo também sucederá com empreendimentos públicos em decaimento de oferta e que, irresponsavelmente, parece que há quem deseje o quanto pior melhor para depois aparecer como a solução para os males que, entretanto, não soube evitar.

Felizmente temos o mar e tantas outras coisas boas, que fazem sempre voltar aqueles que tiveram de procurar saída para a sua vida noutras ilhas, no Continente ou em outros Continentes e que, por vezes, procuram na ilha descobrir uma nova possibilidade de regressar, mas que se deparam com alguma desilusão, pois reencontram velhos problemas.

Também nisso se devia deixar de ver o desenvolvimento de uma ilha pelos anúncios de projectos que não se realizam e pelas euforias eleitorais.