Bem-vindos – Opinião de António Marinho
Publicado em 10 de Junho, 2015

Há mais de dois anos, em Congresso, Duarte Freitas colocou em agenda uma profunda reflexão sobre a reforma do sistema político açoriano.

Para o efeito, criou o grupo de trabalho “Pensar a Autonomia do Futuro”, liderado pelo Professor Carlos Amaral, da Universidade dos Açores, que pouco tempo depois iniciou a tarefa que lhe tinha sido atribuída. Assim se desencadearam diversas iniciativas, onde estiveram envolvidas muitas e respeitadas personalidades da vida açoriana. Vindas da área social, da economia ou da cultura, mas também, obviamente, da que se convencionou chamar classe política.

Desta última, é bom lembrar que foram recebidos contributos de quem hoje exerce funções políticas, mas também de muitos que, tendo prestado relevantes serviços aos Açores, se encontram atualmente afastados da vida política ativa. Relevante é também o facto de não se ter circunscrito a reflexão a quem se encontra na área ideológica do partido promotor. Muito pelo contrário. Pelos diversos eventos foram passando pessoas que pensam os Açores de forma empenhada, sem pruridos, oriundos da generalidade do espectro partidário açoriano, com posicionamento à esquerda ou à direita do PSD/Açores.

Uma reflexão honesta e frutífera, aliás, não podia ter outro figurino. Pensar a Autonomia, quase 40 anos depois da sua implementação, implica uma abordagem diversificada. Por pessoas de diferentes perfis profissionais, ou de participação em termos de cidadania, assim como por quem tem, ou já teve, responsabilidades políticas, na área do poder ou na oposição.

A verdade é que, 40 anos depois, há seguramente ajustamentos que se impõem. Em termos institucionais e de funcionamento do regime autonómico, imprescindíveis para alcançar uma melhor Autonomia e se atingirem melhores resultados em benefício dos Açorianos.
Estranhamente, quando Duarte Freitas lançou este desafio, alguns manifestaram-se através da sua habitual veia destrutiva. Tentaram desvalorizar. Curiosamente, personalidades da sua cor partidária não hesitaram em participar na reflexão, de forma desprendida, interessada e dando contributos de enorme qualidade.

Há sempre quem pense mais no lucro partidário do que nos interesses dos Açores. É, por norma, gente de pouca craveira. “Pequeninos”, como se costuma dizer.

Olhando apenas para os seus botões, preferem esquecer a urgência de maior participação e corresponsabilização da sociedade civil no processo de tomada de decisão política. Ou evitam pensar na excessiva concentração de poderes na figura do presidente do governo, que transforma o regime autonómico, parlamentar no papel, em presidencialista. Ou não querem constatar a necessidade de criar contrapoderes para dar maior qualidade à Autonomia e até à democracia. Ou, ainda, não querem pensar em mecanismos que fortaleçam a coesão entre as nove ilhas açorianas.

Vasco Cordeiro, há cerca de duas semanas, no dia dos Açores, finalmente entendeu aproximar-se das preocupações do PSD/Açores. Aceitou, dois anos depois, o desafio de Duarte Freitas. E é bem-vindo ao debate de questões fundamentais para a Autonomia Açoriana.

Os “pequeninos”… engasgaram-se.