A importância do mundo rural – Opinião de Luís Pereira de Almeida
Publicado em 12 de Junho, 2015

Há já alguns anos escrevi que, entre outras coisas, o mar e a terra eram um ativo de grande importância para Portugal no geral e para a Região em particular. Estes setores foram beneficiados por enormes montantes financeiros nas últimas décadas. Ainda bem que assim foi.

Numa época em que população mundial atinge os sete mil milhões de habitantes e quando facilmente se percebe que comemos cada vez mais, não é difícil perceber que a terra e o mar são cada vez mais ativos escassos e que precisam de valorização. O continente africano tem sido palco de enormes tomadas de posições de grandes investidores internacionais que “apenas” querem ter terra arável.

Hoje, nos Açores, temos um setor agrícola dinâmico e umas pescas que precisam de encarar o futuro de uma forma diferente do que tem sido feito no passado recente.

A agricultura, nomeadamente a pecuária, enfrentam grandes desafios com o fim das quotas leiteiras, mas temos um setor preparado com empresários dinâmicos. Talvez não haja consciência da revolução tranquila que se deu no setor e ainda muitos imaginem os empresários agrícolas de enxada e bilha de leite às costas. Felizmente a realidade já é outra. Hoje temos uma classe que ombreia com os concorrentes vindos do primeiro mundo. Aprenderam, apreenderam e têm um nível cultural elevado. Os enormes investimentos feitos no setor deram resultados empresariais e no desenvolvimento social dos players.

Na pesca e no mar o caminho tem sido mais difícil. Porém, aqui chegados é fundamental olhar para o lado e, nem que seja, imitar os lavradores. Só desta forma será possível dar um salto ao nível dos rendimentos e no desenvolvimento socioeconómico de quem dessa atividade depende. Paralelamente temos que conseguir fixar uma nova geração de agricultores na terra. Isto só é possível com a valorização social da função e com formação profissional nas áreas de interesse desses jovens.

É incontornável que a sustentabilidade da Região passa por estes dois setores, sem que isto queira dizer que as outras atividades devam ser desprezadas. Porém, se descuidarmos o que sabemos fazer bem provavelmente não conseguiremos fazer bem o que ainda não fazemos.