Um mau serviço ao Faial – Opinião de Luís Garcia
Publicado em 07 de Maio, 2015

1. A generalidade dos Faialenses está muito preocupada com o retrocesso que se está a verificar nas ligações aéreas diretas entre a Horta e Lisboa. Este assunto domina as conversas e as redes sociais. Este problema deve exigir de todos uma atuação condizente, responsável e coerente. É isso que também se exige aos políticos que tem a responsabilidade de representar os Faialenses.

Nesse contexto os deputados do PSD eleitos pelo Faial apresentaram ao Conselho de Ilha, reunido a 18 de Março, as seguintes propostas de deliberação:

a) “Manifestar à TAP a sua profunda desilusão e descontentamento por esta decisão que ofende o grande carinho e apreço que os Faialenses sempre manifestaram pela Companhia”;

b) “Manifestar ao Governo da República o seu firme e veemente protesto por não ter garantido que a TAP, empresa pública, concorresse às novas Obrigações Modificadas de Serviço Público para as rotas dos Açores”;

c) “Manifestar à SATA a sua profunda desilusão e descontentamento pelos novos horários anunciados que significam um rude golpe na oferta praticada no passado e nas justas expetativas dos empresários desta ilha, ao reduzir-se de forma tão significativa o número de voos e o número de lugares oferecidos e, simultaneamente, exigir que a SATA garanta já neste Verão o mesmo número de voos diretos entre Lisboa e a Horta que se verificavam em 2014”.

d) “Solicitar ao Governo Regional dos Açores a sua intervenção junto da SATA no sentido de garantir, em relação à gateway da Horta, que a mesma manterá o mesmo número de ligações diretas a Lisboa que se verificavam em 2014”.

E na reunião foi acrescentada mais uma deliberação: “solicitar ao Governo da República e à TAP que mantenham o aeroporto da Horta no programa de implementação do Projeto RISE (RNP Implementation Synchronized in Europe) em parceria ou não com a SATA”.

Todas estas deliberações foram aprovadas por unanimidade e sem grandes dificuldades.

2. Na preparação da reunião da Assembleia Municipal da Horta que se realizou na passada semana, e para facilitar o consenso entre todos os Grupos Municipais, pois acreditamos que a unanimidade é importante em matérias desta natureza, o Grupo Municipal da Coligação PSD/CDS-PP/PPM decidiu apresentar um voto muito semelhante às deliberações do Conselho de Ilha. Assim propunha-se que a Assembleia Municipal aprovasse um “um voto de protesto pelos impactes negativos que o novo modelo de transportes aéreos está já a ter e pelos riscos que se perspetivam possa causar na dinamização do gateway da Horta.

Mais se delibera que se comunique o teor deste voto às seguintes entidades:

a) À TAP a dar conhecimento da profunda desilusão e descontentamento pela decisão de abandono da continuação da rota da Horta, o que ofende o grande carinho e apreço que os Faialenses sempre manifestaram pela Companhia;

b) À SATA a dar conhecimento da profunda desilusão e descontentamento pelos novos horários anunciados que significam um rude golpe na oferta praticada no passado e nas justas expetativas dos empresários desta ilha, ao reduzir-se de forma tão significativa o número de voos e o número de lugares oferecidos e, simultaneamente, exigir que a SATA garanta já neste Verão o mesmo número de voos diretos entre Lisboa e a Horta que se verificavam em 2014;

c) Ao Governo da República manifestando o veemente protesto por não ter garantido que a TAP, empresa pública, concorresse às novas Obrigações de Serviço Público para as rotas dos Açores e a dar conhecimento para a necessidade de manter no aeroporto da Horta o programa de implementação do Projeto RISE (RNP Implementation Synchronized in Europe) em parceria ou não com a SATA;

d) Ao Governo dos Açores pela sua não intervenção junto da SATA no sentido de garantir, em relação à gateway da Horta, que a mesma mantivesse o mesmo número de ligações diretas a Lisboa que se verificavam em 2014”.

Transcrevo o proposto nos dois documentos para que sejam os leitores a comparar e a descobrir as diferenças entre os dois. Certamente que concluirão que os documentos são praticamente iguais. E isso foi propositado para facilitar o consenso.

Para espanto do comum dos mortais, o PS que havia votado favoravelmente no Conselho de Ilha, agora, na Assembleia Municipal, sem sugerir uma única alteração ao documento, votou contra! E a perplexidade aumenta quando constatamos que no Conselho de Ilha estão pessoas do Grupo Municipal do PS!

3. A pergunta impõe-se: o que levou o PS a mudar a sua posição? Os problemas estão resolvidos? Não. Pelo contrário, entre a data da reunião do Conselho de Ilha e a da Assembleia Municipal confirmaram-se os piores receios e expetativas sobre este novo modelo para o Faial e sobre a capacidade da SATA para responder a estes novos desafios.

Então, o que mudou?

Estou certo que apenas uma coisa mudou: o Governo Regional e o PS/Açores não devem ter gostado das reações do PS do Faial e, vai daí, mandaram recados à navegação para que o discurso e a atuação se acomodassem.

E, como quase sempre, os socialistas de cá, entre defender o Faial ou o PS optaram, mais uma vez, por defender o Partido!

Infelizmente, prestaram um mau serviço ao Faial! “Simplesmente lamentável”, como comentou nas redes sociais o Eng. Martins Goulart, ex-líder do PS/Açores.