Irritações – Opinião de António Marinho
Publicado em 13 de Maio, 2015

Podia estar nele a solução que pretendiam. Era nele que viam a possibilidade de haver algum sucesso na tentativa de ser retomada a condução dos destinos da realidade em tempos degradada por um dos seus antecessores.

Até determinada altura, temos de reconhecer, revelava uma atitude que até parecia ser relativamente sensata. Por esse motivo, contrastava com a daquele que o precedeu. Aquele que se instalou a seguir ao autor da referida degradação. O que depois foi arrasado, apenas lhe tendo sido dada a possibilidade de aguentar o período mais difícil, logo a seguir às maldades que o anterior tinha feito. Deixaram-no estar uns tempos. Depois foi apeado, sem apelo nem agravo, na sequência de um ataque feroz que lhe foi movido. Um ataque meio manhoso, diga-se de passagem.

Estamos a falar de um passado não muito longínquo. E falamos, também, do presente.

Vamos descodificar o que dissemos até aqui.

Costa parecia ser uma solução socialista de algum peso para o confronto eleitoral nacional que se irá verificar no final do presente ano. As eleições que irão dar lugar a um novo governo da República.

Era o desejado. Por muitos, designadamente por cá. E até certa altura, convenhamos, Costa até mantinha uma postura relativamente equilibrada.

Para quem não o conhecia, era com ele que os “incómodos” podiam passar ao esquecimento. Em primeiro lugar, o líder que o precedeu.

Aquele que devia meças à credibilidade, o que o colocava num lugar muito longe da “pole position” dos candidatos a assumir as rédeas da governação em Portugal. Mas também podia fazer esquecer, em segundo lugar, o responsável pelo “martirizar” dos portugueses ao longo dos últimos anos.

O primeiro incómodo é Seguro, justamente quem teve a tarefa difícil de suceder ao de pior memória. E é esse o segundo incómodo, o tão falado Sócrates, que deixou o país em pantanas e a levar com a “Troika” em cima.

Não sabemos se por má influência, a verdade é que Costa mudou do equilíbrio para a irritação latente. À falta de ideias, passou a responder de forma intempestiva sempre que é confrontado.

Entretanto, lá se apoiou num grupo de economistas, que lhe criaram ideias de que tanto necessitava para ficar na posse de alguma da credibilidade que tem sido incapaz de mostrar. Foi esse grupo que criou um documento, que até pode trazer ideias para o debate político, mas que ainda carece de provar a exequibilidade das opções que aponta. E às dúvidas, perfeitamente legítimas, sobre tal documento, designadamente sobre a contradição entre as medidas que aponta e respetivos efeitos, Costa deixou de ter pejo em responder de forma menos pensada. Até deu lugar a mensagens de telemóvel intolerantes e pouco razoáveis, destinadas a jornalistas.

Faz-nos lembrar César. Quando andava pela política açoriana e se irritava quando era questionado em relação a opções discutíveis de que era responsável. Mas também agora, quando busca a fama na política nacional, em que são diversas as reações desajustadas que protagoniza.

Quem sabe, é ele que influencia Costa.

No fundo, e bem vistas as coisas, deve ser uma questão de escola. É que Sócrates também era assim.