É possível – Opinião de Hermano Aguiar
Publicado em 11 de Maio, 2015

Quando a França foi vencida, em junho de 1940, o exército alemão permitiu aos franceses estabelecerem um governo na cidade de Vichy.

Coube a Pétain implementar a ordem nazi. A maioria das pessoas obedecia. Mas os habitantes de Le Chambon, liderados por André Trocmé, um pastor protestante, não vergaram às ordens do marechal Pétain.

Logo no primeiro domingo após a invasão da França, Trocmé proferiu um sermão apelando à resistência pacifista – “O nosso dever é amar, perdoar e fazer o bem sem desistir de resistir”.

Pétain exigiu que o seu retrato fosse colocado em todas as escolas. E Trocmé, contrariado, lá pendurou o retrato na escola que dirigia.

Quando o regime de Vichy fez um ano, Pétain ordenou que todas as cidades tocassem os sinos das igrejas ao meio-dia do dia 1 de agosto.

Trocmé disse à zeladora da igreja, Amélie, para ignorar a ordem. Mas houve dois veraneantes que se queixaram. “O sino não pertence ao marechal, mas a Deus”, disse-lhes Amélie. “Apenas toca para Deus – ou então não toca de todo”.

Os poderosos não são tão poderosos como aparentam ser – nem os fracos são tão fracos. Se constatarem que, de facto, não têm medo. Apenas poderão ter medo de ter medo.