Desigualdades – Opinião de Hermano Aguiar
Publicado em 25 de Maio, 2015

A desigualdade de rendimentos, de património, de alojamento e de acesso à educação são tão persistentes nos Açores como o são no país.

Mas estas desigualdades são mais acentuadas aqui na Região. Veja-se os 71% dos agregados familiares açorianos que têm rendimentos mensais inferiores a 530€.

As novas desigualdades, consequência de evoluções técnicas, económicas, e de uma mudança na perceção da relação do individuo com outrem – tipo de trabalho, endividamento, efeitos negativos da urbanização, incivilidades, implosão do modelo familiar, nova formas de violência – são muito mais sentidas pelo cidadão comum do que as elites que vivem ao abrigo de um conforto protegido.

E aqui o comum do cidadão açoriano, que vive de baixos rendimentos, sofre a dobrar. Sofre pela casa que não tem, como sofre pelo seu trabalho que é “desqualificado” pela sociedade. Sofre pelo filho que não frequenta a universidade, como sofre pelo ambiente hostil do bairro em que reside.

A larga maioria dos açorianos percorre um caminho diferente daquele que os nossos governantes apontam. Caminhos divergentes que levam à deceção crescente e a um sentimento de injustiça. Em democracia e em Autonomia!