A via açoriana para os transportes – Opinião de Cláudio Lopes
Publicado em 25 de Maio, 2015

Numa região arquipelágica como os Açores, uma boa rede de transportes (aéreos e marítimos) ajustada à realidade geográfica e eficaz na resposta que é necessário dar, é fator determinante à coesão económica, social e territorial que uma verdadeira Região Autónoma exige.

A governação socialista, presidida por Vasco Cordeiro, fez moda em responder a todos os desafios com as denominadas “vias” para tudo. Aqui, naturalmente a resposta do Governo designar-se-ia, “via açoriana para os transportes”.

Para tal, elaborou e divulgou o PIT – Plano Integrado de Transportes.

O PIT era uma maravilha, nas palavras de Vítor Fraga aquando da apresentação do plano pelas diferentes ilhas da Região.

Os transportes aéreos iam interligar com os marítimos e estes com os terrestres, enfim, nem a mala do passageiro quase passava pela mão do mesmo, porque tudo estaria tão bem articulado, que era, como se diz na ilha Terceira: Um Espetáculo!

O tal PIT, pretendia assim «aumentar a capacidade de mobilidade de pessoas e bens, através da redução do seu custo de acesso e ainda da facilidade de interligação e comodidade, tanto nas ligações dentro da ilha, como nas ligações inter-ilhas e com o exterior da Região…».

Apesar de todas as bem-intencionadas políticas para o setor dos transportes na Região, o que temos?

– uma empresa açoriana de “bandeira” a SATA, em falência técnica e com uma dívida colossal.

– um transporte marítimo de passageiros que após avultados investimentos em infraestruturas portuárias e na aquisição de dois novos navios, está rodeado de problemas. Até agora resultando em menor frequência de ligações no canal Pico/Faial e em incidentes e acidentes, tendo já resultado na morte de um cidadão. Tudo isto gerando incerteza e insegurança num sistema de transportes histórico nas ilhas do Triângulo.

Os três pecados capitais que têm conduzido ao insucesso destas políticas pautam-se por: 1) incompetência de alguns governantes 2) incompetência de alguns gestores públicos 3) ingerência política do Governo em empresas do setor público empresarial regional.

Em resultado dessa ingerência política temos assistido a demissões de gestores de algumas empresas como foram os exemplos da SATA e da Atlânticoline. O que comprova que quando o Governo se intromete, só atrapalha.

Fruto de todas estas trapalhadas a Região já gastou “uma pipa de massa”, ou melhor, elevadas centenas de milhões de euros sem que tenha ainda acertado o passo nesta matéria. E prepara-se ainda assim para gastar mais 85 milhões de euros na compra de dois novos navios que terão custos de exploração negativos, mas que o autismo do Governo não trava, mesmo quando vozes autorizadas avisam para mais um erro grave que será cometido.

Aliás, é por causa das situações graves que rodeiam os transportes aéreos e marítimos nos Açores que estão em curso duas comissões parlamentares de inquérito.

Estas pretendem apurar responsabilidades políticas sobre erros cometidos no passado, mas o que deve relevar para o bem da Região e de todos os açorianos é acautelar o nosso futuro coletivo. Aí, penso ser importante salvar a SATA e termos um modelo de transportes marítimos entre as nossas ilhas, eficaz e feito em segurança!

Para que tal possa acontecer precisamos ter competência no Governo, gestores responsáveis nas empresas que gerem os transportes aéreos e marítimos nos Açores e não ingerência política nessas empresas. Estas empresas são estratégicas para o nosso desenvolvimento económico e social!

Até agora, o PIT – não tem passado de um Plano Infernal de Trapalhadas! É imperioso acabar com elas!